Le Mirail

1960. George Candilis. Toulouse, França.

O projeto conhecido como Le Mirail foi uma iniciativa que buscava criar moradias para a expansão da cidade de Toulouse, na França. Compreende uma grande área perto da cidade, dividida em três “bairros”: Mirail-Université, La Reynerie e Bellefontaine. Os três estão em uso até os dias atuais, sendo que o projeto inicial sofreu alterações ao logo dos anos e durante sua própria construção.

O interesse para a temática que tratamos é a série de blocos laminares construídos para habitação coletiva no bairro atualmente chamado de Mirail-Université. Os blocos tem uma implantação orgânica, com quebras inusitadas, constituindo um desenho urbano que relembra a estrutura dos galhos de uma árvore.

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Figura 1. Implantação dos blocos que constituem Le Mirail. Fonte: Remi Papillault.

Os blocos apresentam tipologias diferentes entre si: big blocks (blocos laminares de maior extensão e altura), small blocks (blocos laminares de menos dimensão) e villas-pátio (unidades habitacionais unifamiliares). As informações técnicas das tipologias não são muito claras, porém a tipologia de maior interesse é a dos big blocks, que apresenta configuração seguindo a geometria skip-stop, onde a circulação horizontal ocorre em andares alternados.

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Figura 2. Tipologias no conjunto Le Mirail, de cima para baixo: big blocks, small blocks e villa-patios.  Fonte: a confirmar.

 

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Figura 3. Tipologias de apartamentos na configuração dos big blocks – apartamentos A e B (andares típicos) + apartamentos C e D (andares com a presença do corredor). Fonte: a confirmar.

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Figura 4. Diagrama esquemático da circulação no conjunto dos blocos laminares. Existem andares onde o corredor está presente, caracterizado por apartamentos menores e por onde se circula horizontalmente. Estes são intercalados por andares sem corredor, com apartamentos maiores, que são acessados através das caixas de escada, que se repetem, por sua vez, a cada dois apartamentos. Autoria do diagrama: Luiza Raeli M. Penna. 2017.

A novidade deste projeto arquitetônico está no uso de uma laje “interrompida” (tipologia geométrica split-level), criando um desnível dentro do próprio apartamento – no caso das tipologias A e B. Este desnível cria uma separação do ambiente interno, setorizando os fluxos e permitindo maior controle da divisão territorial do apartamento em si. O arquiteto responsável explicava que a presença do desnível permitia a criação de um espaço familiar, mais privado e de um espaço social, mais público. O ponto de encontro entre os dois espaços caracterizava um “espaço pivotante”, que permitia um controle do nível privado sobre o nível social.

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Figura 5 – Diagrama ilustrando a presença do espaço familiar (ao fundo, na parte elevada, com os quartos) e o espaço social (à frente, no nível de acesso, com a sala de estar e a cozinha). Na pequena ante-sala onde os dois âmbitos se encontram, cria-se o “espaço pivotante”. Fonte: Remi Papillault.

 

 

 

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